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Sociedade para Estudos da Dor anuncia posição sobre consumo de opioides no Brasil Entrada x
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Sociedade para Estudos da Dor anuncia posição sobre consumo de opioides no Brasil Entrada x

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A Sociedade Brasileira para Estudos da Dor vem publicamente se manifestar sobre o consumo de opioides no Brasil, tema que tem chamado atenção pela ampla divulgação do cenário de abuso nos Estados Unidos, à exemplo do caso de morte do cantor Prince por overdose de opioide.

Os opioides constituem uma classe terapêutica utilizada no tratamento da dor aguda e crônica de intensidade moderada ou forte e também como um dos componentes da anestesia geral. A população brasileira tem sido levada a crer que esta categoria terapêutica deva ser evitada a qualquer custo, porém esta atitude não tem embasamento científico.

A dor, tanto aguda como crônica, é subtratada em nosso país, pois existe receio dos próprios médicos na prescrição dos opioides; muitos enfermeiros têm reserva para aplicar estes medicamentos mesmo quando corretamente prescritos pelos médicos; e ainda existe relutância dos pacientes a serem medicados ainda que estejam sentindo dor moderada ou intensa. A estes impasses convencionou-se chamar de “opiofobia”.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica o uso de opioides como opção terapêutica para o controle da dor moderada e forte, de acordo com as escalas de mensuração estabelecidas globalmente, e considera que a taxa de consumo terapêutico destas substâncias seja levado em conta como um dos fatores que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma nação.

O acesso a esses medicamentos ainda é difícil no Brasil, que é um dos 10 países com menor prescrição de opioides no mundo. Levantamentos internacionais apontam que a taxa ideal de consumo de opioides para controle da dor por pessoa é de 192,9mg ao ano, porém no Brasil este número é de apenas 7,8mg por pessoa ao ano, ou seja, 25 vezes menor do que é preconizado. Este cenário significa que o brasileiro sofre dor por falta de prescrição adequada de opioides.

Pesquisas recentes indicam que cerca de 60 milhões de pessoas convivem com o problema da dor sub ou não tratada no país. Esta mesma condição incide na maioria dos pacientes com câncer: estudos estimam que mais de 50% deles sofrem dor crônica, mais de um terço deles a dor é intensa. Estes números nos alertam ao fato de que há milhões de brasileiros que padecem de dor e seu sofrimento muitas vezes não é mitigado devido à “opiofobia”, mitos que precisam ser descontruídos.

Ciente de sua missão em ampliar e compartilhar com todos os brasileiros o conhecimento sobre o estudo e o direito que os pacientes têm ao tratamento da dor, a SBED recomenda que casos de abuso de opioides por celebridades, veiculados nos meios de comunicação, sejam devidamente analisados antes de serem extrapolados para a realidade do Brasil.

O objetivo da SBED é lutar para que os opioides sejam usados de modo correto e adequado no tratamento da dor e esclarecer que a “opiofobia” é muitas vezes a causa da dor sentida desnecessariamente pelos pacientes. Por esses motivos, a SBED se sente na obrigação de desmitificar os receios acerca da segurança dos opioides no tratamento da dor, e destaca a necessidade de se discutir amplamente com todos os segmentos da sociedade brasileira estratégias para minorar o subtratamento da dor no país.

São Paulo, 06 de junho de 2016
Diretoria
Sociedade Brasileira para Estudos da Dor

Lena Sena foi empresária do mundo da moda e também do segmento de alimentação. É designer de interiores e paisagista, duas de suas grandes paixões. Também é arteira, como gosta de ser chamada entre os que trabalham com artesanato, atividade que continua a lhe conferir belas criações.

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