O poder do NÃO pode mudar tudo na vida da criança!

22 de março de 2017 12;33

Os nossos filhos quando nascem logo nos reconhecem como modelos a serem seguidos. No primeiro sorriso que demos a eles e fomos retribuídos tivemos o primeiro sinal que já estão seguindo os nossos passos. E assim vamos passando informações, manias, crenças e juízos de valor a todo instante e isso vai moldando a personalidade da criança

O nosso papel é fundamental no processo de aprendizagem e desenvolvimento emocional, principalmente dos 02 aos 06 anos, momento o qual a criança age como esponja que vai sugando de forma inconsciente todas as informações que vamos repassando a elas. A criança tem o seu inconsciente muito aflorado, ela absorve uma quantidade enorme de informações que nem percebemos e por isso a atenção dos pais nesse período deve ser redobrada.

É comum relatos nessa idade e acredito que a maioria daqueles que estão lendo esse texto passaram por isso, de viver uma verdadeira batalha emocional nesse período, o qual a sociedade nos impunha restrições ao nosso desenvolvimento emocional. E essa anulação emocional ocorre pelos pais, família, escola e religião.
O mundo da criança
A criança vem ao mundo pura representando toda a beleza do ser humano e assim age nos seus primeiros anos de vida quando começa o seu processo de aprendizagem, que no modelo atual, em geral, baseia-se na destruição da sua pureza. É nessa etapa que criança entra em um período de felicidade constante com o deslumbramento em relação as suas primeiras conquistas: começar a andar, correr, falar as primeiras palavras e serem entendidas, que não pelo choro. É o início de uma experiência de entender o mundo e se fazer entendido por ele.

Quando a criança começa esse processo baseada na alegria, nós pais começamos o outro de anulação dos nossos filhos. Iniciamos o festival de “nãos” que serve para “educarmos”, que aprendemos com os nossos pais e esses com seus avós.

“Ah! Porque criança NÃO pode fazer o que quiser”, já diriam nossos avós. E começamos com os famosos: “Não pegue isso”, “Não corra”, “Não vai para esse lado”, “Não pula aí”, “Não fala assim”, e assim por diante. Tudo para manter a paz da casa ou mesmo com a desculpa que estamos educando os nossos filhos.

Enquanto a criança vai descobrindo as suas capacidades e desenvolvendo os seus comportamentos, desvendando de forma pura e natural o mundo que está a sua frente, nós vamos acabando com isso facilmente negando a maioria das suas descobertas. Todos esses “nãos” vão entrando no inconsciente da criança mostrando para ela que essa forma de ser, descobrir e agir não é muito legal.

Uma criança alegre na rua e triste em casa
Temos um exemplo clássico de quando a criança chega a casa e mostra para os pais alguma peripécia que aprendeu sozinha com amigos como, por exemplo: plantar bananeira, dar uma cambalhota, ou outro movimento desses, nesse mesmo instante que o movimento é feito ela é reprimida por diversos “nãos” seguidos por “aí meu deus”, “nossa senhora” ou coisa do tipo.

Para a criança isso é confuso, já que na rua a ela é reconhecida pela sua nova habilidade, pela capacidade de fazer algo que outras não conseguem, é elogiada, é considerada incrível perante os amigos. Já em casa é reprimida e leva uma bronca por ter desenvolvido algo novo.

E assim os nossos filhos vão percebendo que na maioria das vezes que desenvolvem ou fazem algo de forma natural, de acordo com as suas próprias vontades, acabam por serem reprimidas. Isso os leva a pensar que ficar feliz não é a melhor opção, ou mesmo que decidir sobre a própria vida NÃO é uma boa escolha.

Dessa forma a criança vai percebendo que não é legal descobrir coisas novas e começa a ficar mais quieta ou mesmo “educada” pelos pais. Um filho que de tanto levar broncas resolve ficar mais quieto, calado, até mesmo tristonho e por contradição, quando está assim recebe até mesmo mais atenção dos pais, avós e professores, e assim começa a perceber como essa situação é melhor. O pensamento dele nessa hora é “Quando estou triste recebo mais carinho e atenção do que quando estou alegre e feliz”.

Entender como falamos o “NÃO”
Além disso, pronunciamos o “NÃO” sempre de forma enfática, agressiva, de cima para baixo, de modo que fica marcado na percepção da criança transformando-se em alguns casos inclusive num trauma, gerando medo na mesma. A frase “O papai já disse NÃO” soa como uma verdadeira espada cortando todas as possibilidades da criança.

Ainda pode ficar pior quando ao invés de ensinarmos sobre o controle das emoções, a sua importância e o modo como devemos reagir aos sentimentos, simplesmente passamos o aprendizado de que devem ignorar emoções desagradáveis como tristeza, medo e raiva.

É comum falarmos “não ligue para isso, é bobagem” (tristeza), como se pudéssemos ligar ou desligar algo igual a um aparelho eletrônico, ou mesmo o tradicional “não seja um chorão” que acontece num momento de raiva. Negar e/ou desprezar um sentimento não ajuda no desenvolvimento emocional da criança.

É necessário ir além do simples consolo ou “apoio” a criança. É preciso que os pais entendam o real motivo que gerou a emoção e trabalhem nesse fato para que possam ensinar os seus filhos a lidar com as emoções de forma verdadeira.

Os ensinamentos que transmitimos geram uma transformação na criança de forma inconsciente, os quais ficam ‘guardados’, se tornando crenças que se refletem na pré-adolescência até a vida adulta. Essas crenças podem fazer com que essas crianças se transformem em seres humanos com problemas emocionais e que deixam de viver a vida.

É assim que começamos o processo de anulação emocional dos nossos filhos.

Fonte: www.osegredo.com.br/Leonardo Veloso

Foto:Google

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