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Não há mais impedimento para o novo Aeroclube, diz ACM Neto
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Não há mais impedimento para o novo Aeroclube, diz ACM Neto

ACM Neto, prefeito de Salvador, fala sobre sua gestão

ACM Neto, prefeito de Salvador, fala sobre sua gestão

Em menos de um ano após ter assumido o comando da prefeitura de Salvador, ACM Neto pretende apresentar para a cidade a solução para um dos problemas mais aparentes na orla marítima. Diz, com exclusividade para a reportagem do A TARDE, durante uma entrevista de balanço do início de mandato, que o imbróglio que impedia a reforma do Aeroclube já está resolvido. O anúncio oficial será feito pelo grupo de investidores, encabeçados pelo Grupo Jereissati, no início de janeiro.

Entre a reconstrução do centro de lazer e as contrapartidas exigidas para o acordo, serão investidos R$ 200 milhões. Direto nas respostas, o prefeito diz que o equilíbrio nas contas foi o grande feito do primeiro ano, mas se reconhece distante do objetivo ao disputar a eleição.

Sonha “deixar um legado” para a capital. “Eu tenho certeza de que a entrega que eu posso oferecer a Salvador, no fim de quatro anos, vai mudar a realidade da cidade”, diz.
Neto fala com um sorriso que não suporta desperdícios. As luzes do gabinete, no Palácio Thomé de Souza, foram acesas antes das 17 horas excepcionalmente para facilitar o trabalho do fotógrafo.

É assim, controlando os mínimos gastos, que ele pretende aproveitar o aumento nas receitas previstos para o ano que vem para tentar melhorar as condições de vida em Salvador.  Confira os principais trechos da entrevista, em que ele fala ainda sobre política e o uso do solo de Salvador.

Algumas das principais notícias relacionadas à prefeitura este ano foram de cortes em despesas e estratégias para aumentar as receitas. Fechar as contas foi o principal desafio?

Sem dúvida. Já na campanha de 2012, quando era perguntado qual seria a minha primeira tarefa caso fosse eleito, dizia que era colocar ordem na casa. Recebemos o município com mais de R$ 3,5 bilhões em dívidas. Com um déficit no orçamento deste ano de mais de R$ 500 milhões. O município tinha 173 itens de inadimplência, que impedia a cidade de firmar convênios e receber recursos federais e estava completamente desacreditado com os fornecedores. Fomos rigorosos na aplicação do recurso público, revendo gastos, otimizando contratos, e do outro lado procuramos apertar o cerco a sonegadores e tornar mais efetiva a capacidade de arrecadação do município. Isso nos permitiu encerrar 2013 no azul.

Quanto é que vai sobrar?

Nós estamos encerrando com dinheiro em caixa que nos permite, nesta virada de 2013 para 2014, um plano de investimentos na cidade de aproximadamente R$ 400 milhões. É fruto do equilíbrio nas contas. O desafio para 2014 é dar o novo quadro orçamentário para a cidade. Nos últimos anos, a cidade vem registrando um percentual de investimentos com recursos  próprios em torno de 2%. Nós pretendemos investir 18% em 2014, o que será um salto. Nós vamos aumentar a receita, mas estou sendo muito seguro para evitar o aumento do custeio.

Então os servidores municipais não devem esperar um grande aumento, correto?

Em 2014, a gente quer ter duas marcas importantes em relação aos servidores. Em primeiro lugar, pretendo implementar o plano de cargos e salários da prefeitura. O segundo objetivo é estabelecer uma política de meritocracia. A gente quer estabelecer parâmetros para cada área, e eu pretendo convencionar uma política de remuneração variável para reconhecer a produtividade e o resultado de cada órgão do município. Tem uma outra, que estou aguardando apenas a votação da Câmara Municipal, que pretendemos implementar já no ano que vem, que é o plano de saúde dos servidores.

Em quanto tempo as dívidas herdadas serão pagas?

Nós fizemos um plano de pagamento em que conseguimos quitar as pendências com aproximadamente 90% dos credores do município. Depois estabelecemos um plano em que este ano pagamos R$ 50 mil para todos os credores, indistintamente. E a partir do ano que vem, fizemos um plano de parcelamento de no máximo sete parcelas. Se houver disponibilidade financeira, vamos acelerar o pagamento das dívidas através de um leilão. Vamos chamar os credores, e aqueles que oferecerem maior desconto do que têm a receber receberão na frente. Já tenho assegurados R$ 50 milhões para amortizar em 2014.

Em sete anos o município zera este passivo?

Eu acho que zera em menos tempo. Hoje tem uma coisa muito importante em relação aos prestadores de serviços. Quem tem a receber do município não precisa ligar para secretário ou prefeito. Prestou o serviço, recebe. Isso gerou uma procura nas concorrências e  uma redução dos preços que pagamos.

Qual é a redução?

Nos maiores, como locação de automóveis e mão de obra, a gente vem tendo de 15% a 20% de economia, o que é muito importante.

Em janeiro, vamos apresentar o projeto Salvador 500“, diz Neto (Edilson Lima | Ag. ATARDE)

Quando a cidade terá um novo PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) e uma nova Louos (Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo)?

Em janeiro, vamos apresentar à cidade o projeto Salvador 500, que é o plano para examinar e discutir a cidade que queremos quando ela completar 500 anos, em 2049. Queremos estudar a vocação de cada bairro para entender como aproveitar economicamente melhor. Os dois primeiros subprodutos do plano dos 500 anos serão o PDDU e a Louos, e o nosso cronograma prevê utilizar todo o ano de 2014 para fazer o debate e encaminhar em dezembro de 2014 para a Câmara, que teria o primeiro semestre de 2015 para consolidar essa vocação. Vamos ouvir todos os interessados. Não vou tratar nada com preconceito.

Quando teremos um desfecho da investigação das transcons?

Tivemos a primeira conclusão, que gerou suspensão de um volume importante de transcons na cidade. Onde se detectaram sérios problemas, continuam suspensas. Estamos realizando uma auditoria técnica e consistente da situação e tão logo seja concluída, saberemos a verdade.

Há suspeitas de problemas. Até onde o senhor pretende levar esse processo?

O meu sentimento é o de que houve mau uso. Não havia controle da prefeitura. Não se sabia a origem de todas as transcons e sobretudo não se tinha controle do estoque. Eu vou levar às últimas consequências. Vou saber se houve irregularidade, quando houve, como houve e, nesses casos, vou buscar o Ministério Público para que as responsabilidades sejam devidamente determinadas.

Quando teremos uma solução para o Aeroclube?

Está tudo pronto, o projeto já foi acatado pela prefeitura. Estávamos nos detalhes finais de entendimento com o Ministério Público. Hoje não há mais impedimento nas considerações do Ministério Público para a implantação do novo Aeroclube. Eu me reuni na sexta-feira (dia 13) até quase 10 horas da noite com os empresários que vão assumir a liderança desse processo. E o principal grupo é o Grupo Jereissati, que já tem uma tradição e um histórico de muito sucesso na exploração de shopping centers no Brasil inteiro. Nós vamos assinar esse contrato logo no início de janeiro.

O que vai ser o Aeroclube?

Vai ser um grande centro de comércio, entretenimento e lazer da cidade. Vai ser climatizado.

Então será fechado?

Vai ser um espaço fechado. Terá uma estrutura moderníssima que vai agregar muito valor à orla de Salvador, com uma quantidade de vagas para estacionamento extraordinária. Vamos ter lá lojas, restaurantes, bares, espaço para cinema e diversão infantil. Vai ser um centro para múltiplo aproveitamento da cidade. Nós vamos abrir uma pista na frente do Aeroclube. Vamos abrir o mar. Hoje o Aeroclube é dono do mar. Não será mais. Tão logo assinado o contrato, iniciaremos o processo de implantação do parque ao lado do Aeroclube, que vai ser um dos mais bonitos do Brasil. O projeto é de Rosa Kliass, uma grande paisagista e arquiteta, uma das melhores do país. O parque vai ser também uma contrapartida.

Qual será o investimento no empreendimento?

Nós estimamos que entre o que o Aeroclube vai precisar e as contrapartidas, serão aproximadamente R$ 200 milhões.

Novo Aeroclube terá investimento de R$ 200 milhões (Mila Cordeiro | Ag. A TARDE)

Quando a cidade finalmente terá o parque?

A primeira coisa que eu tenho demandado dos empresários é um cronograma ágil de demolição daquela estrutura horrorosa. Além disso, quero um cronograma ágil de execução do parque.

O senhor já negou a possibilidade de ser candidato. Mas levando em conta que diz ter cumprido a principal promessa de campanha, de fazer a cidade andar com as próprias pernas, existe alguma possibilidade?

Eu não tinha um plano de poder. Eu tenho um plano de governo, de organizar e estruturar a cidade. Não gostaria de ter em minha biografia a renúncia com apenas um ano e três meses de mandato. A partir do ano que vem a cidade não será mais a capital com a pior arrecadação per capita do Brasil. Mas o legado de transformação ainda não terá acontecido. Eu tenho certeza de que a entrega que eu posso oferecer a Salvador, no fim de quatro anos, vai mudar a realidade da cidade. As pesquisas podem me dar 40%, 50% para o governo do estado que não acontecerá a minha candidatura.

Já se cogitou uma posição de neutralidade sua no ano que vem, os seus adversários já lhe abriram as portas e seus aliados, naturalmente, contam com sua participação efetiva na campanha. Qual será a sua postura?

O prefeito vai governar a cidade, não vai fazer campanha. O cidadão ACM Neto, líder do Democratas, esse, sim, vai fazer campanha nas horas em que não estiver em agenda administrativa. Eu quero deixar claro que na eleição do ano que vem o prefeito vai continuar a ter uma excelente relação com o governador, uma excelente relação com a presidenta e vai continuar governando a cidade. Agora, o político vai ter o seu lado, vai assumir posição.

Não será de neutralidade.

Não será. Nunca fiquei em cima do muro, não gosto de quem fica. Não sou de fazer jogo. Uma das coisas que fazem eu e o governador nos darmos bem é que nem eu faço jogo com ele, nem ele faz comigo. A nossa conversa é transparente e aberta. Eu terei posição, isso faz parte de minha vida.

Qual é a sua avaliação do governo Wagner?

Eu acho que não me cabe a posição de analista político. Como todo governo, vai deixar legados positivos e negativos, e caberá à história e ao eleitor o julgamento. Prefiro falar do momento que vivemos. Tenho certeza de que, se o que está planejado pelo governo acontecer, as obras viárias, a suplementação do metrô, os corredores de BRT, isso tudo vai ajudar Salvador. Tem uma coisa que eu disse ao governador no primeiro encontro que eu tive com ele e com a presidenta Dilma. Eu saberei reconhecer. ‘As coisas boas que vocês fizerem, serei o primeiro a levantar a voz e reconhecer’. Será assim, mesmo durante a campanha.

O secretário da Casa Civil do estado, Rui Costa, é um nome fácil de ser batido pela oposição?

Essa coisa de escolher adversário é o maior erro que alguém pode cometer na política. Eu tenho relação de respeito com o secretário Rui Costa. As pesquisas hoje indicam favoritismo para os candidatos do nosso campo. Isso dá ânimo à tropa, mas não se pode subestimar ninguém.

A escolha do candidato da oposição está mesmo entre o ex-governador Paulo Souto e o presidente do PMDB, Geddel Vieira Lima?

Nós temos outros nomes. Eu acho que o processo ainda está em aberto, mas não há dúvidas de que os nomes de Paulo Souto e Geddel estão mais à frente dos outros.

É o senhor quem vai fazer essa escolha?

Não, Deus me livre. O meu papel não é nem o de escolher, nem o de vetar. Vou trabalhar para manter aglutinados esses partidos que estão próximos politicamente.

(Fonte: Portal Jornal A Tarde – Donaldson Gomes/ Foto: Edilson Lima e Mila Cordeiro | Ag. A TARDE)

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