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André Sant’Anna fala de ultraconservadorismo em livro mais recente
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André Sant’Anna fala de ultraconservadorismo em livro mais recente

Os contos de O Brasil é bom trazem um retrato dos preconceitos e dos ódios de parte da população brasileira

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E difícil falar de O Brasil é bom, novo livro de contos de André Sant’Anna, sem falar de outro lançamento recente, o romance Reprodução, de Bernardo de Carvalho. Por caminhos diferentes, os dois autores buscam recriar na literatura a voz do ultraconservadorismo que se tornou tão comum no País nos últimos anos em caixas de comentários de sites, conversas em táxis, filas de banco e até – assustadoramente – em discursos no Congresso.

A diferença fundamental entre as duas obras, no entanto, é o modo de criar isso. Bernardo Carvalho opta por um personagem cíclico, que se repete na própria falsa lógica que inventou para seus preconceitos e ódios. Se Reprodução transforma com maestria essa linguagem coletiva conservadora, é talvez pouco interessante por rapidamente se tornar monótono.

O Brasil é bom, até pela natureza de suas histórias curtas, é bem mais diverso. Cria vozes diversas para pessoas que veem o mundo de forma plana e ergue sua mira para mais de um tipo de pensamento preguiçoso. Aqui está despido o nacionalismo cego, a fé mercantilizada das religiões, o ódio aos direitos humanos, o consumismo de todas as classes e a vitória incansável dos acordos políticos.

Lodaçal, conto mais longo do livro, é o mais impactante. É construído por meio dos vários possíveis futuros de dois garotos miseráveis do Brejo da Cruz, Chiquinho e Toninho; em todas essas vidas dos meninos, no entanto, a tragédia social do Brasil está presente. Os contos anteriores são uma preparação para a espiral viciosa desse conto, que encerra o lado mais político do livro. A partir daí, assumindo o nome de George Harrison, André Sant’Anna mostra sua relação com a revolução, com o futebol, com o rock; as narrativas são um respiro autoficcional – um anticlímax até – para uma obra positivamente angustiante.

Leia um trecho de O Brasil é bom.

 

(Fonte: Jornal do Commercio – Diogo Guedes / Foto: Divulgação)

 

ASSINATURA

Lena Sena foi empresária do mundo da moda e também do segmento de alimentação. É designer de interiores e paisagista, duas de suas grandes paixões. Também é arteira, como gosta de ser chamada entre os que trabalham com artesanato, atividade que continua a lhe conferir belas criações.

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