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‘Só de tê-lo nos meus braços, mesmo na UTI, já é gratificante’, diz mãe
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‘Só de tê-lo nos meus braços, mesmo na UTI, já é gratificante’, diz mãe

Tamires Lima, de 23 anos, vai passar o primeiro Dia das Mães no hospital.
Hector, de 3 meses, já passou por duas cirurgias e nunca saiu da unidade.

 

Tamires vai ao hospital todos os dias há mais de três meses para ficar com o filho Hector

Tamires vai ao hospital todos os dias há mais de três meses para ficar com o filho Hector

 

A fotógrafa Tamires Barbosa Gonçalves Lima, de 23 anos, mora em Volta Redonda (RJ), e no domingo (10) vai comemorar seu primeiro Dia das Mães. Mas a data, muito aguardada por ela, será em um ambiente pouco habitual: na UTI Neonatal do Hospital São João Batista. O filho dela, Hector Hugo Gonçalves de Lima, nasceu aos oito meses de gestação. Ele é cardiopata e hoje, com três meses de vida, já passou por duas cirurgias.

“Eu queria passar o Dia das Mães com ele em casa, mas não há previsão… Ele está ainda com pouco oxigênio e está começando a mamar agora. Conforme for crescendo, terá que fazer outras cirurgias para trocar uma espécie de caninho que substitui as veias”, explicou.

Assim que descobriu que estava grávida, Tamires diminuiu o ritmo de trabalho. Quando Hector nasceu e o problema dele foi descoberto, ela deixou de lado a vidaPROFISSIONALpara se dedicar totalmente ao filho. A história dela é a quarta reportagem da série “Coração de Mãe”. As matérias contarão, até domingo (10), Dia das Mães, casos de superação de mulheres que deixaram algum ponto de suas vidas para realizarem o sonho da maternidade.

Logo após o parto, a equipe médica descobriu que Hector não possuía as duas veias principais do coração. Foi uma corrida contra o tempo. “Ele nasceu roxinho. Cheguei a perguntar se era normal. Me levaram para o quarto e logo levaram ele para UTI e o entubaram, porque na situação dele não dava para esperar muito tempo sem oxigênio”, contou a mãe de primeira viagem.

A tensão aumentou quando veio a notícia de que não havia vaga para fazer a cirurgia necessária, que só é realizada no Rio de Janeiro. Hector entrou para fila de espera. Tamires não desistiu. Recorreu, e com 30 dias de vida, conseguiu uma vaga para o filho. “A cirurgia era de grande risco. Ele saiu de helicóptero pra lá. Por ser uma caso bem grave, de ambulância talvez ele não aguentaria”, contou.

Hector nasceu sem as duas veias principais do coração e nunca saiu do hospital (Foto: Lara Gilly/G1)

Hector nunca saiu do hospital

Quando finalmente a mãe achou que tudo ficaria bem, Hector teve uma complicação e precisou fazer a segunda cirurgia. Incansável e disposta a fazer tudo pelo filho, Tamires vai todos os dias a unidade médica.

“Venho de manhã, fico o dia inteiro aqui com ele, para poder dar mama. Só na madrugada que não posso ficar. Eu amo muito ele… quando vou embora é muito triste, dá vontade de ficar direto”, disse.

Segundo Tamires, essa atual fase que vive com Hector, que começou a sorrir, “é fichinha” perto do que eles já passaram. “Ver o sorriso dele é tudo! É a maior alegria do mundo. No início tinha dia que a gente pensava que ele não ia aguentar isso tudo que ele está passando. Duas cirurgias e mais de três meses no hospital… Eu que sou grande, acho que não aguentaria tudo isso”, disse, ressaltando que o filho é um guerreiro. “A gente escolheu o nome dele porque é muito forte e serviu certinho. Hector é o nosso guerreiro”.

Há poucos dias Hector deixou a encubadora e passou para o berço da UTI Neonatal. Uma vitória a mais para a família. “Eu estava doida para ver ele de roupinha. Deixaram eu trazer touca, luvinha e meiazinha. Agora posso colocar ele no peito. Ele mama um pouquinho e depois apaga. Quando fica no meu colo, ele fica melhor. Dizem que a criança sente o coração batendo e se sente mais confiante”, explicou.

“Eu amo muito ele… quando vou embora é muito triste, dá vontade de ficar direto”, diz Tamires Barbosa Gonçalves Lima, mãe de Hector.

Futuros planos
Pensativa sobre o futuro do filho, que vai precisar enfrentar diversas cirurgias durante a vida, e terá algumas restrições, Tamires acredita que, com a fé e o passar do tempo, ele vai poder fazer de tudo, inclusive brincar e correr como as outras crianças.

“Tem que segurar na mão de Deus e confiar, mas vai dar tudo certo, como já está dando. Eu acredito muito em Deus. Pedi muito a Ele para ter um filho, para ser mãe e ele me deu… Independente da situação que Hector se encontra. Acredito que Deus dá o que ele pode para as pessoas que aguentam. Eu vou continuar aguentando. Se tiver que fazer cirurgia eu vou levar. Vai ser só mais uma etapa. Vai ser uma cirurgia, ele vai ficar bem e vamos para casa”, planejou.

Tamires se emociona ao dizer que Hector foi o maior presente que ela ganhou. “Não tenho nem palavras… É o meu amor. Meu primeiro Dia das Mães. Só de tê-lo nos meus braços, independente de estar no UTI ou não, já é gratificante. Ele é muito especial”, disse.

Essa postagem faz parte da série especial na semana em que é comemorado o Dia das Mães.

 

(Fonte: Portal G1 /  Foto: Lara Gilly/G1)

 

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