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A artista paulista Marina Saleme faz duas exposições simultâneas na Mul.ti.plo Espaço Arte no Leblon e no Paço Imperial
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A artista paulista Marina Saleme faz duas exposições simultâneas na Mul.ti.plo Espaço Arte no Leblon e no Paço Imperial

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A artista Marina Saleme abre duas exposições simultâneas no Rio na Mul.ti.plo Espaço Arte e no Paço Imperial, nos dias 14 e 17 de dezembro, respectivamente.

“Uma exposição inédita de uma artista importante na discussão sobre pintura contemporânea no Brasil e que há muito não expõe individualmente em uma instituição pública no Rio de Janeiro”, afirma o crítico de arte Felipe Scovino.

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Na Mul.ti.plo Espaço Arte – 14 de dezembro
Na Mul.ti.plo serão apresentados trabalhos da série “O Céu que nos Protege” que mesclam, conceitualmente e poeticamente, os limites da pintura e fotografia. São pinturas sobre fotogravuras que completam, comentam e discutem a realidade. Em toda a sua trajetória Marina vem questionando a real existência das coisas e pessoas, o seu desaparecimento, a falta, o resgate, o vazio.

Na série “O Céu que nos protege”, são fotos feitas em um passeio no Regent Park, em Londres, onde, num lindo dia de sol, aparece uma nuvem assustadora. Marina trabalha constantemente com a metáfora da nuvem e céu como algo que “está acima de nós, para onde olhamos para orar, da onde vem nossas graças de desgraças”. Destas fotos foram feitas fotogravuras em papel algodão e posteriormente pintadas, evidenciando o céu e esta pesada nuvem que ameaça verter sobre todos nós, tema este bastante explorado pela artista, como poderemos constatar em suas grandes pinturas no Paço Imperial.

A artista vai apresentar também a série ”Real”, onde em uma mesma foto (que por si só já é dúbia) percebemos que existe a possibilidade da perspectiva estar invertida, ou seja: qual das traves está na frente? “Repetida à exaustão, essa foto recebeu interferências diversas, como pintura, desenho, durex, fita crepe, etc… comprovando que a mesma imagem pode ser vista sob diversas perspectivas e que cada interferência pode mudar a realidade. Quero provocar uma reflexão sobre o que é de fato Real, a existência de um único ponto de vista, a existência de alguma verdade”, explica Marina. A artista explicita as diversas verdades questionando a existência da mesma.

No Paço Imperial – 17 de dezembro
No Paço Imperial, a exposição individual e inédita de Marina Saleme, com curadoria de Felipe Scovino, tem um caráter retrospectivo e apresentando 25 obras da coleção da artista e de acervos privados que incluem trabalhos recentes e inéditos, possibilitando ao espectador assistir, refletir e produzir novos olhares sobre a obra de Marina. São obras de distintas fases e períodos que exploram as diversas pesquisas de sua carrreira. Os trabalhos compõem um diálogo generoso e imprescindível sobre a sua produção pictórica que, mesmo trabalhando com o suporte fotográfico, faz uso de um diálogo com a pintura. Marina desenvolve sua pesquisa desde os anos 80 e é uma das principais artistas brasileiras da sua geração, com obras em importantes acervos públicos do Brasil.

A exposição contará também com a realização de uma visita guiada do curador sobre a obra da artista. A ideia é que o curador explicite a linha curatorial da exposição e o público tenha a oportunidade de questionar e refletir sobre arte brasileira, em geral, e a obra de Marina, em especial. “A exposição e o debate pretendem difundir a pesquisa e o estudo que a produção das artes plásticas trava com outras linguagens visuais, investigando a amplitude que o fenômeno das artes vem criando com outras áreas”, diz…

Sobre a artista
Existem dois procedimentos na sua obra, que são evidentes e que não necessariamente estão separados ou individualizados. Estes procedimentos se confundem, invadem um ao outro, criando um processo investigativo dos mais instigantes. O primeiro deles é o fato de sua obra revelar ocultando, isto é, o acúmulo de camadas e as diferentes técnicas que são empregadas no trabalho criam uma volumetria que supostamente nos afasta da primeira camada. Contudo, a artista elabora um sistema que não nos faz esquecer dessa imagem inicial e nos leva para um território de novas descobertas, achados e premissas sobre a imagem- o que valoriza seu potencial pictórico.

Fotografia e pintura mesclam-se em um mesmo repertório: o de criar situações que subvertem a ordem do plano e daquilo que está diante de nós. Passamos a duvidar sobre o que sempre se constituiu como verdade.

A obra de Marina é fundamental para se entender os distintos modos de se fazer pintura no Brasil e como a discussão colocada por ela atravessa fronteiras geográficas e políticas. Lançando um olhar sobre o atravessamento de narrativas e técnicas da artista e ao sentido de investigação que norteia a sua produção, tomamos contato com métodos que ampliam a capacidade de entendermos o conceito de artes visuais: a economia de gestos e matéria e a conquista do espaço, assim como a representação do corpo diante de um mundo cada vez mais cruel que se constitui através de uma temporalidade cada vez mais exígua.

Questões que versam sobre a dúvida em relação a figura e a sua real posição no mundo, a vulnerabilidade da existência, presença e principalmente ausência de todas as coisas frente ao tempo e espaço são uma constante no trabalho de Marina Saleme (São Paulo, 1958). Marina se formou em Artes Plásticas na Faap em 1982 e deu aula de pintura e seus processos criativos durante 10 anos no Instituto Tomie Ohtake. A artista trabalha desde então predominantemente com pintura, desenho e fotografia.

Destacam-se as exposições individuais e coletivas nos seguintes museus e instituições: Paço Imperial (Rio de Janeiro); Paço das Artes (São Paulo); Centro Universitário Maria Antônia (São Paulo); MAM-SP (São Paulo); Palácio das Artes (Belo Horizonte); Musée d’art contemporain de Baie-Saint-Paul (Québec); Embaixada do Brasil na França (Paris), Galeria Luisa Strina (São Paulo), Galeria DotArt (Belo Horizonte); Instituto Figueiredo Ferraz (Ribeirão Preto); entre outras.
Suas obras estão em coleções públicas e particulares de destaque, como o MAM-RJ (Rio de Janeiro); Coleção Instituto Figueiredo Ferraz (Ribeirão Preto); Instituto Cultural Itaú (São Paulo); MAM-SP (São Paulo); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Fundação Padre Anchieta / Metrópolis, São Paulo.

Marina Saleme

Mul.ti.plo Espaço Arte
15 de dezembro a 21 de janeiro 2017
Rua Dias Ferreira, 417/sala 206 – Leblon – tel.: 2259-1952.
Horário de visitação:
Abertura: Quarta, 14 de dezembro de 2016
Paço Imperial: exposição individual
17 de dezembro 2016 – março 2017
Praça Quinze de Novembro, 48 – Centro – tel. 22152093
Horário de visitação: terça à domingo das 12 às 19h.

Abertura: Sábado, 17 de dezembro, às 15h­ ­

Foto: Divulgação

Lena Sena foi empresária do mundo da moda e também do segmento de alimentação. É designer de interiores e paisagista, duas de suas grandes paixões. Também é arteira, como gosta de ser chamada entre os que trabalham com artesanato, atividade que continua a lhe conferir belas criações.

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