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Quilômetros e quilômetros
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Quilômetros e quilômetros

Às vezes é bom andar sem precisar acertar o passo.

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Eu nem queria viajar. Como é que eu ia adivinhar um negócio desses?!? Tem gente que não gosta de viajar. Pensa em mala, estrada, aeroporto com o mesmo entusiasmo com que antecipa fila de banco no dia 10. Eu amo. Já fiz viagens malucas que, analisando, não valeriam a pena. Como ir para Itacaré, na Bahia, de ônibus quando só a estrada de Itabuna até lá já custava seis horas de viagem – depois das 24 horas de BR desde São Paulo. Podia ficar lá menos de uma semana. Passei quase tanto tempo na estrada quanto na cidade. Foi lindo assim mesmo.

Essa viagem para a Argentina só entrou na agenda porque minhas milhas iam expirar. Percebi a tempo e encontrei passagens para Buenos Aires na primeira semana de dezembro.

Nunca pensei em ir acompanhada – não que não quisesse; achei que não era possível. Mas minha querida amiga Lylian ficou na dúvida: “Não são duas passagens? Acho que eu vou com você”. Não eram… Aí fiquei muito decepcionada porque ela não ia. É sempre assim: fico arrasada quando não acontece alguma coisa que não ia acontecer mesmo.

Eu gosto de viajar sozinha, mas, como já conhecia a cidade, preferia ter alguém para passear comigo. Estava pensando mais em “passar tempo com amigos” do que em “explorar um destino”. Quase não fui. Ter perdido o voo poderia ser um aviso de que não era para dar certo…

Ainda bem que eu fui. Sozinha ou acompanhada, é gostoso voltar a lugares conhecidos. Ser mais “local” e menos “visitante”. E quem disse que não restam milhões de lugares para explorar? E explorar sozinha é uma delícia. Não precisar planejar, poder mudar de ideia na metade do dia sem ter de explicar, negociar ou sequer comunicar a alguém. Inverter a ordem da programação durante o café da manhã sem um pingo de preocupação.

No meu caso, é bom poder andar quilômetros (e quilômetros e quilômetros) como quase ninguém se animaria a fazer em uma viagem. E eu ando rápido, bem rápido… Porque gosto, porque me dá prazer e porque não me custa nada. Adivinhe se os acompanhantes de viagem curtem?

Bom poder pedalar longas distâncias três dias seguidos, parar o tempo que quiser para tirar fotos, tomar café fazendo anotações no meu adorado caderninho. E falar com as pessoas apenas quando dá na telha… Com os colegas de “biketour”, as companheiras de quarto do albergue, os amigos originais (por e-mail e Facebook). Volto com saudade deles e louca para contar o que quiserem saber. E, se não quiserem, tudo bem.


(Fonte: Portal Revista Vida Simples – Soninha Francine/ Foto: Marcos Lima)

ASSINATURA

 

Lena Sena foi empresária do mundo da moda e também do segmento de alimentação. É designer de interiores e paisagista, duas de suas grandes paixões. Também é arteira, como gosta de ser chamada entre os que trabalham com artesanato, atividade que continua a lhe conferir belas criações.

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