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Fuga
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Fuga

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Amanheceu numa dessas manhãs outonais chuvosas. Era sábado, dia que surgia com a perspectiva de descanso, se não total, pelo menos um dia mais leve como o vento fresco que entrava pela janela do seu quarto.

Ainda sonolenta se perguntava por que seu amanhecer era tao doloroso tanto na alma como no físico.

Sempre essa pergunta surgia, e ela só tinha como resposta: o silencio. Não tinha muita clareza, porem sabia lá escondido no fundo das suas certezas, que algo sugava a alegria de viver.

Dentro do caos, depois de negociar com suas incertezas e seus medos, correu para o chuveiro deixando a água fria molhar seu corpo como um choque, um susto, ou um grito de alerta.

Depois já vestida no seu velho roupão de banho, pés descalços, caminhou ate a cozinha, enchendo a caneca de café fresquinho, e saboreia em pequenos goles rezando baixinho para não ser descoberta.

Em prece, pede a Deus que seu algoz não a veja, e retorna rápido pelo pequeno corredor ao seu quarto, seu pequeno mundo.

Dura pouco para sua presença ser notada e ali mesmo respira jurando que vai ouvir todas as cobranças acompanhadas de ordens sem retrucar. Rápido descobre ser impossível ficar em silencio. Seu algoz tem fala mansa, sabe ferir, sabe jogar com a emoção dela.

Até quando? -Ela não sabe…….Sabe da tristeza no peito, reconhece o gatilho que vai disparar mais uma crise de panico. Sabe que ele a paralisa com sua pseudo generosidade.

Em estado letárgico, escova seus longos cabelos, retoca o batom, chora e sai sorrindo, vestida no seu novo personagem.

ASSINATURA5

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