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O que fazer quando a timidez vira doença?
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O que fazer quando a timidez vira doença?

Não confunda timidez com fobia social. Muitas vezes o que é apenas um traço de personalidade acaba sendo confundido com uma patologia. Saiba mais.

Nesta entrevista, a psicóloga Flávia Santiago nos explica o que é a fobia social, quais são suas causas e possíveis complicações, como o uso das redes sociais virtuais pode afetá-la e em que consiste o tratamento aplicado.

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iSaúde Bahia  – O que indica que a timidez já configura um quadro patológico?

Flávia Santiago – A timidez é um traço da personalidade da pessoa. O tímido aprende a conviver com a inibição sem que isto prejudique sua vida. Quando situações rotineiras geram muito sofrimento e passam a ser evitadas, o tratamento deve ser iniciado.

“A fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social

é caracterizada pelo medo excessivo de situações sociais onde o sujeito

precisa se expor em público, como falar, escrever, comer…”

iSB  – O que é a fobia social?

Flávia Santiago – A fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social é caracterizada pelo medo excessivo de situações sociais onde o sujeito precisa se expor em público, como falar, escrever, comer… O fóbico teme se comportar de maneira inadequada, ser humilhado, reprovado, criticado e rejeitado. As situações sociais são evitadas ou enfrentadas com intensa ansiedade e sofrimento. A fobia social é responsável por importantes prejuízos sociais, ocupacionais e familiares.

iSB – Quais sinais físicos alguém pode apresentar quando sofre de alguma doença associada à timidez?

Flávia Santiago – Ansiedade, sudorese, taquicardia, tensão muscular, tremor, boca seca, respiração ofegante ou falta de ar, dor de barriga, rubor facial, voz trêmula, mãos frias.

iSB – Há a possibilidade de esse problema gerar um quadro de depressão?

Flávia Santiago – Sim. A comorbidade mais relacionada à fobia social é a depressão. Pessoas que sofrem de fobia social tendem ao isolamento, pois evitam situações, restringindo assim suas atividades cotidianas, comprometendo o convívio social. O sentimento de inferioridade, insegurança e baixa autoestima reforçam o isolamento, facilitando a instalação de um quadro depressivo.

iSB – A genética pode ser uma causa desse problema? Fora isso, quais as outras possíveis causas e fatores de risco?

Flávia Santiago – Existe uma predisposição genética, um hiperfuncionamento da amígdala, área do cérebro responsável pelo condicionamento do medo. É a amígdala que sinaliza para o cérebro que existe uma situação de perigo. Entretanto, as causas genéticas correspondem a apenas 30% dos casos. Outras causas do transtorno são mais preponderantes e estão relacionadas ao modelo familiar no qual a pessoa se desenvolveu. Indivíduos que cresceram em um ambiente de superproteção, autoritarismo e rejeição estão mais predispostos a desenvolverem a fobia social.

“Indivíduos que cresceram em um ambiente de superproteção, autoritarismo e rejeição estão mais predispostos a desenvolverem a fobia social”.

iSB – Pode comentar um pouco sobre a possibilidade de o tímido agravar seu problema ao tender a substituir as relações face a face pelas relações vividas através das redes sociais da internet?

Flávia Santiago – As redes sociais facilitam o estabelecimento de vínculos, a troca de informações e, por ser um meio virtual, possibilita vencer algumas barreiras da timidez, como, por exemplo, o contato presencial. O mundo virtual pode auxiliar na diminuição do medo da reprovação e do julgamento, tão presentes nos fóbicos sociais. No entanto, relacionar-se apenas no meio virtual pode agravar o quadro, pois contribui com o isolamento. De maneira prejudicial, as redes podem acabar sendo utilizadas como uma fuga, mas elas não podem substituir as relações no mundo real.

iSB – Como é o tratamento aplicado pelos psicólogos/psiquiatras e que tipo de melhora é possível alcançar?

Flávia Santiago – A psicoterapia vai auxiliar o indivíduo a identificar seus sintomas de ansiedade, reconhecer situações ansiogências e desenvolver um plano para enfrentar situações difíceis. Em paralelo, o psicólogo, juntamente com o paciente, vai buscar compreender o que está por trás dos medos, investigando o seu início e a relação com situações vividas anteriormente. O processo psicoterapêutico também vai possibilitar que o paciente tenha percepções mais realistas acerca de si e do mundo.

Em casos mais graves de fobia social, o tratamento psicoterápico é associado ao tratamento farmacológico. Os antidepressivos são os medicamentos mais utilizados para a fobia; estes vão atuar na redução dos sintomas de ansiedade, possibilitando maior enfrentamento de situações aversivas. Todavia, a psicoterapia é a base do tratamento para a fobia social, pois vai ajudar o paciente a vencer seus medos.

iSB  –Existe uma estatística mundial e nacional de pessoas que sofrem de fobia social ou timidez patológica?

Flávia Santiago – A prevalência da fobia social é maior em adolescentes, com início na infância. Estudos brasileiros apontam que 3,7% dos adolescentes apresentam fobia social.

(Fonte: Portal iBahia / Foto: Reprodução)

 

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