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Cresce o número de autistas de alto funcionamento inseridos no mercado de trabalho
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Cresce o número de autistas de alto funcionamento inseridos no mercado de trabalho

Através do tratamento adequado, adolescentes e adultos com síndrome de asperger são inseridos no mercado de trabalho e alcançam sucesso em suas funções

A palavra que parece mais ideal para essa matéria seria inclusão, mas estamos falando de algo que vai além. Estamos falando de capacidade cognitiva diferenciada de adolescentes e adultos com autismo de alto funcionamento. Aqueles que possuem habilidades que se destacam da maioria, que podem, e devem ser desenvolvidas em um ambiente de trabalho comum.

É inconcebível a ideia de que autistas de alto funcionamento ou síndrome de asperger não devem ser aceitos em trabalhos típicos por apresentarem algumas diferenças em habilidades do comportamento. Pelo contrário, hoje existem tratamentos personalizados que trabalham especificamente com o que traz mais dificuldades para o asperger se desenvolver em um ambiente de trabalho. Assim como existem empresas voltadas a buscar, capacitar e inserir pessoas com autismo de alto funcionamento em uma ocupação remunerada.

A verdade é que podemos trabalhar com um autista de alto funcionamento e não sabermos que se trata de um, e ainda invejarmos sua capacidade e habilidades diferenciadas que o evidencia dos demais. É fato: eles podem conviver de maneira harmoniosa em uma empresa e trazer resultados surpreendentes.

O que é o Autismo de alto funcionamento ou Síndrome de Asperger

Todas as vezes que ouvimos a palavra “autismo” é comum relacionarmos com alguns estereótipos, como: isolamento, quietude, incomunicabilidade.

Mas é importante ressaltar que não há só um tipo de autismo, mas diferentes graus dentro desse transtorno do desenvolvimento, um espectro que abrange diferentes déficits comportamentais.

Segundo a Classificação Internacional de Doenças, oficialmente adotada pela legislação brasileira, dentro do Transtorno do Espectro Autista existe a chamada Síndrome de Asperger – que é definida como o autismo de alto desempenho, onde a inteligência e a fala estão preservadas, apesar de algumas dificuldades sociais.

A Síndrome de Asperger é muito mais comum do que a maioria das pessoas pensa. O asperger, ou autismo de alto funcionamento, costuma ser diagnosticado bem mais tarde do que os outros níveis de autismo. Enquanto os demais níveis de autismo podem ser diagnosticados até antes dos três anos de idade, o asperger, ou autismo de alto funcionamento, é diagnosticado, na maioria das vezes, após os três anos de idade.

Estima-se que 1% da população mundial esteja enquadrada no espectro autista, segundo dados dos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças do Governo dos Estados Unidos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 em cada 160 crianças tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Habilidades de indivíduos com autismo de alto funcionamento

Uma pessoa com TEA (Transtorno do Aspectro Autista) de alto funcionamento apresenta frequentemente uma ou várias das seguintes características: aptidão matemática, tecnológica, musical e artística. Excelente capacidade de concentração, especialmente nas atividades de que gostam. Habilidades visuais elevadas. Talento para atividades repetitivas, e para dedicar-se à realização de tarefas metódicas sem perder a concentração. Uma grande capacidade para compreender e lembrar de regras, padrões e conceitos concretos. Excelente memória de longo prazo, sobretudo para fatos, estatísticas. Adesão às normas e honestidade.

São características específicas e de grande valia que muitos gestores buscam encontrar em candidatos para os postos de trabalho.

Marcelo Vitoriano, diretor geral da empresa Specialisterne – com sede em São Paulo, capital, uma empresa social que dá valor às características especiais das pessoas com asperger – comenta que a maioria das empresas desconhece os potenciais das pessoas com autismo e as vantagens competitivas de ter um profissional assim na empresa:

“Seguramente, a maioria das equipes de recrutamento e seleção reprovam candidatos com asperger, pois seus processos de seleção não contemplam as características das pessoas com autismo. É preciso quebrar os paradigmas desses processos mais tradicionais que dirigem as decisões a partir de determinadas habilidades sociais. Já é fato que empresas que contratam pessoas com TEA de alto funcionamento são empresas socialmente inovadoras que aproveitam as evidentes qualidades das pessoas com asperger como uma vantagem competitiva, e que experimentam na prática conviver com profissionais que possuem paixão pelos detalhes, raciocínio lógico, atenção e concentração acima da média, e constância nas atividades.”

A Specialisterne, empresa dirigida por Marcelo Vitoriano, tem como missão e objetivo a formação e inclusão de pessoas com autismo no mercado de trabalho proporcionando maior autonomia, independência econômica e melhora na qualidade de vida das pessoas como um todo.

“Acreditamos que todas as pessoas têm direito a oportunidades iguais no mercado de trabalho, independente de suas características pessoais. É importante que haja uma compreensão por parte da equipe quanto às necessidades específicas do profissional com autismo, que deve receber apoio para entender, de maneira clara e direta, quais as expectativas em relação ao seu trabalho. Pela nossa prática, os colaboradores que participam do processo de integração e sensibilização, costumam se orgulhar bastante de fazer parte dessa equipe”, finaliza Marcelo.

Tratamento do indivíduo com asperger e inclusão no mercado de trabalho

Não há “cura” para a Síndrome de Asperger. No entanto, há uma série de estratégias e abordagens úteis para melhorar as condições de vida, assim como a inserção no mercado de trabalho.

O tratamento da síndrome de asperger, ou autismo de alto funcionamento, é realizado por um psicólogo especializado, através da abordagem ABA (Applied Behavior Analysis), uma Ciência aplicada do comportamento, única indicada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e de preferência desde a infância do paciente.

A Análise do Comportamento é uma ciência que pode ser aplicada para modificar, melhorar, ensinar, ampliar qualquer comportamento. Desde ensinar uma criança a apontar, ir ao banheiro, até “paquerar”, falar com a namorada e ser inserido no mercado de trabalho. São pequenas sutilezas e regras de convenções sociais que não são entendidas de forma natural para esses indivíduos, mas podem ser ensinadas através de um treino específico.

A Análise do Comportamento possui intervenções capazes de ensinar repertórios para o estabelecimento de relações sociais adequadas e de oferecer uma melhor qualidade de vida a esses indivíduos, para ajudá-los com suas interações sociais (seja para conviver melhor com seu cônjuge, colegas de trabalho ou família ou encontrar um parceiro romântico ou amigos), ou para se organizar e gerir o seu tempo.

Renata Michel (especialista em Neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir) comenta que pacientes com TEA de alto funcionamento que passam pela clínica e desejam ser inseridos no mercado de trabalho encontram um caminho desafiador, mas cheio de conquistas e descobertas:

“Recebemos devolutivas muito animadoras de empresas que contratam pacientes que passam por tratamento conosco. É muito comum o empregador dizer que esses funcionários possuem alto funcionamento cognitivo, são altamente concentrados e conseguem desenvolver muito bem suas funções. Quando esse paciente chega na clínica, conversamos pra entender quais repertórios comportamentais ele sente mais dificuldade. Normalmente as queixas giram em torno da interação social.

Primeiramente, iniciamos com o trabalho clínico, para acessar onde começaram as queixas e dificuldades sociais. Posteriormente, passarmos para o ambiente natural de interação desse indivíduo, através do acompanhamento terapêutico. Ele é acompanhado em ambientes sociais que frequenta, dentre eles o trabalho, para futuramente conseguir aos poucos ser inserido no contexto social desejado. Assim também auxiliamos em inúmeras outras atividades, tais como: tirar carta de motorista, inscrição em universidades ou qualquer desenvolvimento de repertório que ele necessite”, conclui Renata.

Conheça a história de Diego – um autista de alto funcionamento no mercado de trabalho

Diego Ferreira, 35 anos, é Consultor de TI. Assim que Diego soube do diagnóstico de autismo de alto funcionamento, entendeu mais profundamente o que se passava com suas questões sociais e emocionais:

“Depois que passei por tratamento especializado com minha neuropsicóloga, entendi melhor sobre minhas limitações e fui desenvolvendo mais confiança nas minhas habilidades. Isso me ajudou a ir em busca de uma empresa que poderia me auxiliar na procura por um emprego. Ao participar de todo o processo e apoio que a empresa oferece, fiquei mais seguro em compartilhar meus objetivos profissionais.”

Durante a metodologia de formação, Diego foi, então, selecionado para participar do processo seletivo de um grande banco nacional:

“Confesso que bateu um pouco de nervosismo ao observar aquela sala cheia de avaliadores, mas pelo feedback passado, percebi que fui objetivo nas respostas e ninguém percebeu meu nervosismo no momento.Depois desse processo, fui comunicado de minha aprovação. Fiquei super feliz com a notícia. Esperei quase um mês para ser chamado na unidade do banco e aproveitei este tempo para estudar mais sobre as tecnologias, para poder ajudar da melhor forma possível.”

Em março deste ano, Diego iniciou seu primeiro dia de trabalho:

“Todos da equipe foram super atenciosos comigo e me apresentaram todo o ambiente de trabalho. Achei o pessoal da equipe super alto astral e fiquei muito à vontade de conversar com todos eles. É uma satisfação enorme fazer parte disso tudo. Os superiores estão super satisfeitos e tem me agradecido muito por toda ajuda nas atividades. Sinto-me muito realizado por estar somando na equipe e pela oportunidade incrível em trabalhar em uma empresa de grande porte”, ressalta Diego.

Inclusão que gera resultados

As pessoas com autismo de alto funcionamento saem de uma situação de exclusão para uma situação de trabalho, de respeito e de dignidade. É primordial que as empresas tenham em seus valores o respeito e valorização à diversidade. Em relação ao autismo, é importante conhecer tanto os aspectos gerais, como características específicas de cada indivíduo, em suas particularidades e necessidades de apoios para uma inclusão com qualidade. Isso tem feito muito a diferença para empresas que abraçam essa causa, apoiam e incluem profissionais que possuem habilidades diferenciadas como essas. E na prática, não é apenas inclusão, mas também, resultados extraordinários para os negócios.

A Get Comunicações disponibiliza para a imprensa os seguintes contatos:

– Renata Michel (especialista em Neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir)

– Personagem Asperger – Diego Ferreira

– Fonte Marcelo Vitoriano (diretor geral da empresa Specialisterne)

INFORMAÇÕES – GRUPO CONDUZIR

O Grupo Conduzir é formado por uma equipe especializada de profissionais que atua nas áreas da Psicologia, Terapia ABA, Pedagogia e Psicopedagogia, proporcionando um atendimento capaz de oferecer uma interface entre a área clínica e educacional.

Também contam com profissionais da área de Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, proporcionando o atendimento multidisciplinar, sempre com a base e supervisão de um Analista do Comportamento, otimizando os resultados a serem atingidos.

O Grupo Conduzir também prioriza o conhecimento e disponibiliza cursos de formação básica e palestras que atingem todo tipo de público-alvo: pais, estudantes e profissionais da área da Saúde e Educação.

Lena Sena foi empresária do mundo da moda e também do segmento de alimentação. É designer de interiores e paisagista, duas de suas grandes paixões. Também é arteira, como gosta de ser chamada entre os que trabalham com artesanato, atividade que continua a lhe conferir belas criações.

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