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Casamentos Não Convencionais
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Casamentos Não Convencionais

Se você pudesse criar um ritual para abençoar e celebrar uma relação, como ele seria?

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O casamento é nossa principal aposta na tentativa de ser feliz. Nenhum outro evento movimenta tantos amigos e familiares. Se você contar que ganhou o prêmio Nobel por suas pesquisas ou atingiu a iluminação suprema e está beneficiando incontáveis pessoas, ninguém vai se animar em lhe dar uma geladeira ou uma festa com direito a viagem para a Europa.

Como é nossa felicidade que está em jogo, não queremos toda a responsabilidade; caso contrário, teríamos de admitir que somos os autores de nossas experiências. Queremos alguém para culpar se algo der errado – o psicanalista Contardo Calligaris costuma brincar que essa é uma das razões pelas quais casamos. E esse processo já começa antes, quando delegamos a preparação de um dos poucos rituais que nos sobraram.

Pais colocam dinheiro e decidem por nós quem convidar (de acordo com seus jogos sociais). Fotógrafos que não conhecemos transitam frenéticos como se a festa fosse feita para as lentes. O padre faz um discurso que muitas vezes não ressoa fundo. Enquanto o casal faz votos de coração aberto, vários convidados – que não sabem da história dos noivos – checam o celular ou se preocupam em manter a pose dentro daquela roupa desconfortável, distraídos, desconectados, fazendo o ritual perder ainda mais poder. O buffet é caro e só serve às reclamações das pessoas e comparações com outras festas. Uma quantidade enorme de dinheiro e tempo é depositada em uma só noite que talvez não seja feita para ninguém.

Quando um casal de amigos me convidou para participar da cerimônia, estranhei: “Vocês não querem um padre? As famílias aceitaram? Eu sou um moleque, não tenho autoridade alguma para isso!” Mas eles não queriam autoridade. Após longas conversas, escrevi sobre a história deles e sobre os desafios de um relacionamento. Eles acionaram a rede de amigos para produzir a festa, chamaram 250 pessoas para um sítio, a noiva entrou pela grama acompanhada de um grupo de maracatu, eu li o texto enquanto todos os olhos brilhavam e foram as pessoas que abençoaram a união (para mim Deus é também isso: o brilho comum a cada olhinho da gente).

Este é só um exemplo das novas ritualizações cada vez mais exploradas por casais que ousam se reapropriar desse momento, com cerimônias pessoais, despretensiosas, dentro ou fora da Igreja, porém sem tanta pressão para agradar ou se adequar a algum modelo de felicidade que ninguém mais entende, mas que segue alimentando um grande mercado.

Gustavo Gitti é professor de TaKeTiNa e trabalha em espaços de transformação www.gustavogitti.com

(Fonte: Revista Vida Simples / Foto: Fabricio Brisola)

ASSINATURA

Lena Sena foi empresária do mundo da moda e também do segmento de alimentação. É designer de interiores e paisagista, duas de suas grandes paixões. Também é arteira, como gosta de ser chamada entre os que trabalham com artesanato, atividade que continua a lhe conferir belas criações.

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